"O MAL SÓ TRIUNFA QUANDO OS HOMENS DE BEM NADA FAZEM". Edmund Burke.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Impotência sexual e cirurgia da próstata.

Percebo que muitos homens acreditam que a cirurgia da próstata acarreta a impotência sexual, com perda definitiva das ereções penianas. O motivo desta postagem é mostrar que não é isso que ocorre na maioria das vezes.

Existem dois tipos de doenças da próstata que podem levar à indicação de cirurgia:
1. a doença benigna, mais conhecida como Hipertrogia Benigna da Próstata.
2. A doença maligna, cancerígena, mais acarretada pelo Adenocarcinoma da Próstata.

As cirurgias mais agressivas são as  indicadas para o tratamento do câncer, o adenocarcinoma mais frequentemente. Ao se submeter a essas cirurgias, existe o risco para complicações no pós-operatório como impotência sexual e incontinência urinária, temporárias ou definitivas. Isso porque a próstata precisa ser totalmente retirada e nesse momento, há o risco do cirurgião comprometer os nervos e as estruturas musculares que geram o controle da urina e permitem que as ereções ocorram. 

Já as cirurgias para o crescimento benigno, como só é retirado o que cresceu a mais, não há necessidade da retirada da próstata inteira e assim, o risco para danos das estruturas praticamente inexiste.

Para que essas complicações não aconteçam, é importante escolher um cirurgião experiente, conhecedor de técnicas existentes desde 1982 e apresentadas pelo Urologista americano Patrick Walsh, capazes de preservar no ato da cirurgia, os nervos responsáveis pela ereção e poupá-los de uma lesão intraoperatória.

Existem três vias para a realização dessa cirurgia:

  •  a com incisão abdominal
  •  a laparoscopia (conhecida como a “cirurgia dos furinhos na barriga”)
  •  a robótica (também executada com entrada das pinças robóticas por orifícios abdominais).

A cirurgia que tudo indica será a indicação padrão para o tratamento do câncer de próstata no futuro, embora já seja realizada atualmente em muitos grandes centros, São Paulo inclusive, será a robótica. Mas a laparoscopia, assim como a cirurgia com incisão, ainda são muito executadas. O importante é que o cirurgião tenha experiência com a técnica a ser executada e assim, assegurar bons resultados de cura do câncer, mantendo a continência urinária e a potência sexual.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Saiba quando prostatites e uretrites, devem ser tratadas pelo casal.

Um leitor me indaga se pelo fato do parceiro dele estar com uma infecção urinária (no caso, uma prostatite que tudo indica foi adquirida pela penetração anal sem preservativo), se ele também deveria ser medicado. 

No caso das relações sexuais em que a penetração anal existe sem uso de preservativos, há sempre o risco de se contrair uma infecção urinária, como uma prostatite e/ou uma uretrite (que provoca corrimento pelo canal urinário). Isso porque a região do reto é colonizada por bactérias que ali precisam estar, indispensáveis ao metabolismo do intestino. E são essas as bactérias que entram pelo canal urinário do pênis e causam as infecções. 

Há também as infecções urinárias que podem ser adquiridas ao se receber sexo oral desprotegido de preservativos. Os agentes que causam as infecções são diferentes dos que existem na região retal e também não merecem tratamento.

É importante informar que no sexo com penetração anal e no no oral sem preservativos, há também o risco de se contrair infecções por Clamídia, por gonococos que causam a gonorreia e até mesmo vírus que causam os resfriados. Nessas situações, é necessário que ambos sejam tratados, caso contrário com o reinício da atividade sexual, o que não recebeu tratamento voltará a reinfectar o parceiro.

Respondendo então à pergunta do leitor, no caso da prostatite adquirida pelo hábito da penetração anal sem preservativos, não é necessário o cuidado com o tratamento dos dois. Mas volto a informar que é importante que anualmente ambos façam exames, mesmo se sentindo bem, que eliminem a possibilidade de infecções urinárias. Aproveite para realizar os exames de sorologia no sangue para descartar doenças com HIV, Sífilis, Hepatite B e Clamídia.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Os riscos de se ter múltiplos parceiros.

Um leitor me indaga, após ter lido a última postagem deste blog que fala sobre prostatite, se o fato de ele ter um único companheiro, diminui as chances dele ser acometido por uma prostatite.

Evidências científicas apontam para um maior risco para a aquisição de DST (doenças sexualmente transmissíveis), quanto maior forem os parceiros sexuais. Doenças como Síflis, HIV, Clamidia, HPV, Herpes Simplex, Hepatite B tendem a ser mais adquiridas em homens que possuem múltiplos parceiros. O uso de preservativos diminui esse risco, mas como há doenças que se disseminam pelo contato direto com as lesões das doenças (HPV, Herpes, Cancro) que não ficam cobertas pelo preservativo, nem sempre o uso do mesmo impedirá a transmissão da doença. E vale a pena lembrar mais uma vez, que o sexo oral tem sido uma forma comum de disseminação de DST, conforme já citado neste blog antes.

Respondendo à pergunta do leitor, minha opinião é que um parceiro fixo diminui o risco de prostatite, com certeza. Mas se a sua frequência sexual com esse parceiro é intensa, você pode estar mais susceptível ao trauma da próstata quando penetrado por ele, ou estar mais sujeito a contrair as infecções por bactérias que existem na região retal do seu parceiro, caso as relações não sejam com preservativos.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Prostatite: um risco maior para o homem gay.

A prostatite é uma condição que acomete a próstata, que poder ser somente inflamatória ou também infecciosa. O órgão aumenta de volume devido à inflamação e tende a comprometer agudamente, a forma de micção do homem. Em casos mais severos pode ocorrer febre e até mesmo impossibilidade de urinar. Dor abdominal e na região dos genitais costumam acontecer também.

É uma condição mais frequente no homem adulto, mas não é impossível que acometa um jovem. Normalmente as formas mais comuns dos agentes que causam a infeção atingirem a próstata, é via canal urinário. Mas a contaminação também pode ser sistêmica (pelo sangue, ou por contiguidade).

E porque o homem gay tem um maior risco para apresentar prostatite? Pelo hábito da relação sexual com penetração anal. 

1) Quando é penetrado, pode haver trauma da próstata pelo pênis do parceiro e causar uma prostatite inflamatória. É muito comum escutar como queixa, um homem gay se consultar para saber o porquê do esperma ter se apresentado com sangue, após ter sido penetrado pelo parceiro. 

2) Quando penetra o ânus do parceiro sem preservativo. A região do reto é contaminada e as bactérias que se encontram nessa área, são nocivas ao aparelho urinário. Podem progredir pelo canal urinário e atingir a próstata e quando encontram situação favorável para a contaminação, causam a prostatite infecciosa.

O tratamento da prostatite pode ser simples ou mais complicado. Muitas vezes um antibiótico por no mínimo 02 semanas é suficiente. Para melhorar os sintomas da inflamação (dor abdominal, ardor urinário, frequência miccional intensa), os anti-inflamatórios podem ser úteis. Em casos mais extremos, em que a micção se torna impossível, pode ser necessário a passagem de um cateter na bexiga. Não é frequente, mas se a condição infecciosa for severa, pode ser recomendado uma internação hospitalar.