"O MAL SÓ TRIUNFA QUANDO OS HOMENS DE BEM NADA FAZEM". Edmund Burke.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O que você deve saber sobre o medicamento TRUVADA, uma arma de prevenção contra a contaminação pelo vírus HIV.

O medicamento TRUVADA foi lançado em 2004 e já pode ser comercializado no Brasil. Na verdade o medicamento é formado por duas drogas que já vinham sendo usadas no tratamento dos pacientes HIV positivos: Emtriva e Viread. Nos Estados Unidos ele já é utilizado como uma arma na prevenção da contaminação pelo vírus HIV. Mas as autoridades alertam que medidas preventivas, como uso de preservativos, não devem ser abandonadas.

É um medicamento que deve ser administrado diariamente e que não está livre de efeitos colaterais, como diarréia, vômitos, náuseas e tontura, mas que diminui em até 44% a chance de contaminação pelo vírus HIV.

A droga pode ser administrada às pessoas de um grupo de risco, como é o caso dos homens gays, para prostitutas e casais sorodiscordantes (quando apenas um deles é HIV positivo).

O problema é que com essa nova opção de prevenção, muitos homens gays deixam de tomar "as tais medidas preventivas", que é o uso de preservativos no ato sexual.

E muitas vezes não seguem corretamente a terapia com a droga e assim, acabam se expondo mais. 

Muitos homens que já faziam sexo sem preservativo antes do lançamento do Truvada, admitem que hoje em dia utilizam menos ainda. E realmente foi constatado um ligeiro aumento nas taxas de contaminação, num estudo realizado nos Estados Unidos em 2011.

Então você deve pensar no Truvada como uma ajuda para não contrair o vírus HIV e não como uma opção para largar o uso da prevenção com o preservativo.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

"Pisada na bola!"

Acabaram as festas e muito provavelmente você ingeriu uma grande quantidade de bebida alcoólica. Isso te deixou mais alegre e com certeza mais bonito (a alegria embeleza, pois irradiamos uma vibração que nos faz mais belos), mais atraente, mais desinibido e mais confiante.

Às vezes acontece o contrário também, pois podemos estar passando por momentos difíceis, como perdas, saudade, distância. Mas o efeito da bebida também pode mudar o seu comportamento.

E essas mudanças de comportamento podem fazer com que a gente não pense muito bem sobre nossas atitudes, levando-nos a atos irresponsáveis e literalmente levando a gente a “dar uma pisada na bola”. E ainda tem o efeito da testosterona, que como costumo brincar com os meus pacientes, faz a gente passar a pensar com a “cabeça de baixo”.

Então vamos lá, é hora de refletirmos e lembrar se passamos por essas mudanças de comportamento e se “pisamos na bola” com atos que podem ter colocado a nossa saúde em risco (algumas vezes a do seu parceiro também), numa relação sexual com pessoas desconhecidas ou pouco conhecidas. Então está na hora de relembrar tudo que já foi abordado nesse blog desde Setembro de 2013, em relação aos atos sexuais desprotegidos.

SEXO ORAL: se não usou preservativo tanto ao fazer como ao receber, esteve exposto a Sífilis, Clamídia, HPV, Herpes, uretrites, prostatites, Hepatite B e se permitiu que ejaculassem na sua boca, esteve exposto ao HIV.

SEXO COM PENETRAÇÃO: se não usou preservativo, também esteve exposto às mesmas doenças só que de forma mais perigosa, principalmente se você foi penetrado sem proteção. 

E preciso te informar que o preservativo não é 100% seguro no caso das lesões que se transmitem por contato, como HPV, Herpes e Sífilis, caso elas se localizem fora da área que é coberta pelo látex.

E agora? A primeira coisa que tenho para te dizer é para ficar calmo e procurar o seu Urologista de confiança, expor os fatos e procurar realizar exames ou até mesmo tomar algum medicamento, que diminua os riscos de você ter contraído algo mais sério. Normalmente solicitamos exames de urina, de esperma e eventualmente de alguma secreção que comece a sair pelo canal urinário. Lesões na pele da região genital também podem logo na avaliação visual, receber um diagnóstico de algum tipo de DST (doença sexualmente transmissível). Mas os sinais e sintomas das doenças podem levar até 21 dias para começar a aparecer.

Os exames de sangue são solicitados também, mas esses precisam ser repetidos por um período de 3 meses pois a sua contaminação, caso tenha ocorrido e eu torço sempre para que isso não aconteça, ainda pode passar despercebida.

E se tem um parceiro, proteja-o usando preservativo nos próximos 90 dias pelo menos, até ter certeza que a sua saúde está em ordem. É complicado isso, né? Mas é o correto e percebo que muitos casais acabam adoecendo juntos, pelo fato de não serem fiéis a essa atitude de proteção ao próximo.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Feliz 2014!

Passado o Natal, agora é hora de nos prepararmos e nos enchermos de esperança, para que num novo ano continuemos a concretizar sonhos e se possível, ampliarmos horizontes, ajudar aos que nos procuram e ir ao encontro dos que nos necessitam.
Tenham todos uma ótima virada de ano e um Feliz 2014!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homens gays e a fidelidade!

Hoje vou sair um pouco da minha área, a urologia, para tocar num assunto que volta e meia aparece nas consultas em minha clínica: a fidelidade do casal de homens gays. Não vou abordar o assunto baseado em estudos de psicologia e nem de comportamento humano. Vou falar do assunto baseado no que escuto e usando um pouco do conhecimento que adquiri com leituras do cotidiano. Espero que no final desse post, você se satisfaça com o que vou colocar.

É um fato: muitos homens gays desejam uma união das do tipo "unidos para sempre na saúde e na doença", com fidelidade, amando e respeitando. Recentemente fui padrinho de um casamento entre homens e a Juíza pronunciou as mesmas palavras e expressões de um casamento entre pessoas de sexo diferente. Afinal de contas, é a lei. E se pessoas do mesmo sexo no Brasil já podem se casar, devem seguir as mesmas leis de fidelidade. No Brasil é crime ser infiel (incisos I e V do art. 1566 do novo Código Civil).

Mas e no dia a dia, o que acontece? Bem, não será novidade para ninguém saber que muitos "pulam a cerca" e aí, vão passar em consulta ou porque adquiriram por descuido alguma doença sexualmente transmissível, ou porque querem tomar todo o cuidado para não contaminar o companheiro, mesmo acreditando que tenha praticado sexo seguro com esse novo parceiro. Por isso tenho batido tanto na mesma tecla e recomendado a leitura dos vários posts que existem neste blog, alertando para os riscos do sexo grupal, do sexo oral desprotegido e cuidados que devem ser tomados com exames de rotina.

Mas há casais que conseguem uma união bem longa de 20, 30, 40 anos. Conheço-os pessoalmente, quer porque sejam amigos ou porque são pacientes. Em alguns casos, as duas situações. E para eles faço sempre a mesma pergunta: "qual a fórmula para esse casamento eterno?" E deles escuto: nós nos permitimos de tudo- sexo grupal, mudança de parceiros, puladas de cerca, viagens desacompanhadas. Chega uma hora que isso cansa e nos voltamos um para o outro.

Isso me leva a algumas considerações. Uma delas bem realista: envelheceram e como dizem por aí, estão fora do mercado. Hoje homens com 35 anos já se dizem "fora do mercado". Imagina então os de 40, 50, 60 anos.

Outra é porque acaba a novidade. O novo repetido, vai ficando igual. Aliás, acho que esse é um dos grandes motivos para a quebra da fidelidade. A necessidade do novo. Chega um momento do relacionamento de um casal, que acaba a novidade das posições, dos tipos de orgasmo preferido, dos momentos mais oportunos e inoportunos para um ato sexual. E o homem precisa da novidade para se sentir motivado, estimulado.

Há também uma explicação científica, que é a presença do hormônio testosterona que mantém a libido sempre em alta. E o bonito chama atenção, então o homem olha para aquilo que considera belo. E de repente, está sendo infiel. Ou quase. Como corre aí pela internet, "fidelidade não é nunca sentir atração. Fidelidade é sentir atração e não ir em frente porque sabe que tem um compromisso a zelar". E aí aparecem os conceitos, sejam religiosos ou jurídicos, dizendo que o homem deve ser monogâmico. Imagina se o homossexualismo fosse reconhecido e respeitado universalmente? Quantos parceiros onde a poligamia é permitida, teria um homem gay?

Enfim, é para refletir. O que não pode é exigir do outro, aquilo que você não pratica. Acho que evidências criam teorias e para mim está claro que havendo acordo, a relação vai longe. Hoje sei que para estar dentro de uma relação monogâmica entre homens gays, é indispensável muita criatividade para que ela seja duradoura, investindo na quebra da rotina. Se não quer mudar de parceiro, mude de lugar, faça viagens a lugares novos, experimente cantos diferentes e alimente o relacionamento com novidades. Alimente sempre o carinho, todo mundo gosta de receber. E fazer carinho também é muito bom!